Como identificar e resolver falhas em sistemas fotovoltaicos: três problemas típicos e como enfrentá-los

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A expansão acelerada da energia solar no Brasil transformou os sistemas fotovoltaicos em uma das soluções mais procuradas para geração elétrica limpa, econômica e sustentável. Porém, junto com esse crescimento, surge também a necessidade de profissionais bem preparados para lidar com diagnósticos, manutenção e solução de problemas nesses sistemas.

Afinal, mesmo os melhores projetos estão sujeitos a falhas. E quando isso acontece, entender a origem do problema e resolvê-lo com precisão é fundamental para evitar prejuízos, ampliar a vida útil dos equipamentos e garantir segurança ao usuário final.

Neste artigo completo, você vai entender como funciona o processo de solução de problemas em sistemas fotovoltaicos, quais são os três pontos mais críticos do sistema e como detectar falhas com a ajuda de ferramentas adequadas, além de boas práticas que fazem toda a diferença em campo.

Prepare-se: este é um guia robusto, técnico, detalhado e escrito especialmente para profissionais que buscam dominar o diagnóstico de instalações solares.

Por que a solução de problemas em sistemas fotovoltaicos é tão importante

A demanda crescente por energia solar cria uma nova exigência no mercado: técnicos que consigam identificar falhas rapidamente, sem colocar o sistema em risco e sem comprometer a segurança do local.

Além disso, sistemas fotovoltaicos são compostos por diversos elementos que precisam funcionar juntos de maneira precisa:

  • módulos solares,
  • cargas elétricas,
  • e caixas combinadoras.

Quando um único componente apresenta falha, todo o desempenho do sistema pode ser comprometido.

Entretanto, com o equipamento correto e um método de diagnóstico eficiente, é possível identificar problemas em minutos, não em horas. E isso faz toda a diferença tanto para instaladores quanto para equipes de manutenção.

Três áreas críticas no diagnóstico de sistemas fotovoltaicos

Para facilitar o entendimento, vamos separar o processo de solução de problemas nesses momentos essenciais:

  • Painéis fotovoltaicos e strings
  • Carga alimentada pelo sistema
  • Conversor (inversor solar)
  • Caixas combinadoras e conexões

Cada uma dessas áreas exige uma abordagem específica, mas todas podem ser analisadas a partir de um método estruturado sempre com o apoio de instrumentos profissionais.

1. Falhas em painéis fotovoltaicos: os sintomas mais comuns e como identificá-los

Quando um sistema fotovoltaico apresenta baixa produção ou parada total, um dos primeiros pontos a serem verificados é o conjunto de módulos solares. A boa notícia é que painéis fotovoltaicos, quando bem instalados, raramente falham sozinhos, na maioria das vezes, o problema está no entorno: conexões, cabos, fusíveis, sombreamento ou sujeira.

Entretanto, para um diagnóstico preciso, é fundamental seguir uma linha lógica de investigação.

Comece analisando a saída geral do sistema

Antes de abrir caixas, desconectar cabos ou isolar módulos, observe a saída:

  • Verifique a tensão de entrada do conversor (inversor).
  • Registre a corrente da string.

Esses valores iniciais ajudam a entender se o problema está em uma única seção, em parte da matriz ou em todo o conjunto fotovoltaico.

Situações comuns encontradas no campo

Ao enfrentar falhas nos módulos, dois cenários se repetem com frequência:

  • Parte ou toda a string não está produzindo energia

Isso geralmente está ligado a um problema no conversor, mas também pode ser um defeito grave em um módulo.

  • Produção abaixo do esperado

Aqui, falhas em células individuais, conexões, cabos ou fusíveis são mais comuns.

Investigando a fiação de ramificação

Trabalhar de trás para frente é um método extremamente eficiente. Isso significa:

  • Revisar as conexões do string box (caixa combinadora).
  • Verificar fusíveis individuais.
  • Reiniciar disjuntores ou seccionadoras, quando houver.
  • Observar sinais de superaquecimento, oxidação ou mau contato.
  • Uma única conexão solta pode fazer uma string inteira falhar.

Use o multímetro correto: polaridade, continuidade e tensão

Um ponto crítico é nunca confiar apenas na inspeção visual.

Falhas de polaridade podem acontecer e provocar tensões acima do recomendado, especialmente quando strings são acidentalmente colocadas em série.

Ferramentas profissionais conseguem alertar o técnico com:

  • avisos sonoros,
  • avisos de polaridade invertida,
  • indicação de continuidade sem risco,
  • testes de Voc (tensão em circuito aberto) com segurança.

Atenção ao sombreamento e à sujeira

Mesmo módulos projetados para operar durante anos sem manutenção podem sofrer redução de eficiência por:

  • poeira,
  • fuligem,
  • poluição,
  • acúmulo de pólen,
  • sombras de construções próximas, folhas ou galhos.

Limpeza periódica e inspeção visual evitam perdas severas na produção.

2. Diagnóstico de falhas na carga fotovoltaica

Não é apenas o painel que pode apresentar falhas. A carga conectada ao sistema também pode causar problemas, impactando produção, estabilidade e segurança.

Quando a carga não funciona como deveria, o sistema fotovoltaico “sente”. Em muitos casos, o problema não está no painel nem no conversor mas sim no equipamento alimentado.

Comece pelas proteções

Antes de qualquer passo técnico, verifique:

  • disjuntores,
  • fusíveis,
  • chaves seccionadoras,
  • quadros de distribuição.

Conferir se há tensão presente no ponto da carga é uma etapa indispensável.

Se houver fusíveis queimados, a causa deve ser encontrada antes de substituí-los, senão, a falha pode se repetir e causar danos maiores.

Diagnosticando motores e cargas maiores

Cargas motorizadas exigem atenção especial. Falhas comuns incluem:

  • disjuntor térmico interno ativado,
  • falhas de enrolamento,
  • curtos intermitentes em bobinas,
  • conexões afrouxadas.

Para verificar, muitos técnicos realizam um teste rápido substituindo a carga por outra equivalente.

Se funcionar, o problema está confirmado na carga original.

Problemas causados por cabos inadequados

Em alguns casos, a instalação até funciona, mas apresenta queda de tensão quando o sistema está sob carga. Isso acontece quando:

  • o cabo utilizado é muito fino,
  • a distância entre carga e fonte é grande,
  • o isolamento está deteriorado.

Soluções possíveis:

  • aumentar a bitola,
  • reduzir distância,
  • redistribuir circuitos,
  • verificar emendas e conexões.

Aterramento e falhas invisíveis

Sempre que possível:

  • desligue todo o sistema,
  • verifique continuidade,
  • procure pontos de fuga,
  • elimine curtos e falhas intermitentes.

Esse tipo de problema causa aquecimento, queima de fusível e instabilidade no conversor.

3. Problemas no conversor fotovoltaico: como identificar falhas com precisão

Se há um componente que merece total atenção, é o conversor (inversor solar).

Ele é o coração do sistema, recebe energia CC, converte para CA e gerencia a produção.

Quando o conversor falha, todo o sistema para.

Para um diagnóstico eficiente, siga esta ordem lógica:

1. Verifique a entrada CC

Antes de tudo:

  • registre a tensão de entrada CC,
  • observe a corrente da string.

Comparar esses valores em todas as manutenções ajuda a identificar quedas de eficiência ao longo do tempo.

2. Confira a saída CA

Com instrumentos corretos, é possível medir:

  • tensão de saída,
  • frequência,
  • corrente RMS,
  • potência ativa (kW),
  • energia produzida (kWh) desde a última inspeção.

Se os valores não estiverem dentro do esperado, há três causas frequentes:

  • fusível queimado,
  • disjuntor desarmado,
  • conexão rompida ou mal encaixada.

3. Verifique comportamento com relação à rede elétrica

Conversores conectados à rede precisam manter:

  • tensão dentro da faixa,
  • sincronismo de fase,
  • frequência estável.

Se a rede elétrica estiver instável, o inversor se desligará automaticamente.

Nesses casos, o problema não está no sistema fotovoltaico e sim no fornecimento da concessionária.

Bônus: 4. Caixas combinadoras: o ponto onde tudo se encontra

Esse é um dos pontos mais importantes no diagnóstico. A caixa combinadora concentra:

  • fusíveis,
  • terminais,
  • cabos,
  • strings individuais.

Por isso, é o local ideal para identificar:

  • desequilíbrio de corrente entre módulos,
  • fusíveis queimados,
  • cabos quebrados,
  • strings operando abaixo do normal.

Uma ferramenta profissional ajuda a:

  • medir correntes individuais,
  • comparar strings,
  • avaliar continuidade,
  • detectar polaridade errada,
  • realizar medições mesmo em locais apertados.

Caixas combinadoras são a “central de inteligência” do diagnóstico fotovoltaico.

Conclusão: um bom diagnóstico depende do técnico e das ferramentas certas

Resolver problemas em sistemas fotovoltaicos exige:

  • método,
  • atenção aos detalhes,
  • conhecimento técnico,
  • e instrumentos confiáveis.

A diferença entre um diagnóstico lento e inseguro e uma análise rápida e precisa está no equipamento utilizado.

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